Momento 2 – Sensibilização
Dando sequência, a especialista aprofunda a reflexão sobre o poder simbólico na construção da memória e na produção da hegemonia cultural, despertando nos cursistas a percepção crítica sobre como as narrativas oficiais são construídas para atender interesses específicos.
O poder simbólico na construção da memória
A história das lutas populares, quando registrada pelas instituições dominantes, costuma ser fragmentada, romantizada ou criminalizada. Episódios importantes de resistência acabam reduzidos a pequenas notas de rodapé, enquanto os verdadeiros sujeitos da transformação são omitidos das páginas oficiais.
Antonio Gramsci, ao analisar os mecanismos de produção da hegemonia, destacou que o poder não se limita aos instrumentos de coerção física, mas também se perpetua por meio da produção de consensos sociais. Controlar a narrativa é uma das formas mais eficazes de manter a ordem vigente.
Ao longo da história brasileira, as versões oficiais sobre greves operárias, ocupações de terra, movimentos estudantis ou reivindicações urbanas foram moldadas para atender aos interesses das elites econômicas e políticas. As distorções, omissões e manipulações dessas narrativas têm como função deslegitimar a luta popular, apresentando-a como ameaça à ordem ou como ação de minorias radicais e desorganizadas.